Reportagens, ideias e afins

Por Angélica Oliveira

O sonho do carro próprio

Final de tarde, corpo cansado, vontade de voltar para casa e esse ônibus que não chega! E quando chegar, provavelmente estará lotado. Sempre tem quem ocupe banco com sacola ou criança, todo mundo olha, se irrita e ninguém fala nada. Pior ainda é ver gente que invade os lugares reservados para idosos e gestantes. E não está nem aí se tem velhinho ou mulher grávida no ônibus. Claro, sempre há entre os presentes, quem use o bom senso e a educação. Mas, a impressão que se tem é que esse “alguém” somos sempre nós mesmos.
A situação acima é corriqueira e evidencia a dificuldade no convívio forçado pela coletividade dos veículos. Não escolhemos quem senta ao lado, nem com quem dividimos o corredor. Fatores como ruas esburacadas, curvas fechadas, freadas bruscas e motoristas imprudentes contribuem para o mal estar dos passageiros, que sacolejam de um lado para o outro e se esbarram de forma involuntária.
Estudos sobre linguagem corporal revelam que nas ocasiões em que o contato físico com estranhos é inevitável, acabamos por coisificar o outro para tornar a situação menos desgastante. Assim, abrimos mão do nosso espaço pessoal para não nos sentirmos invadidos e invasores do território do outro. . “Às vezes eu converso com quem senta do lado, outras vezes não, mas quando o ônibus tá muito cheio, aquele empurra-empurra me irrita!” comenta Vanessa Pereira, estudante que crê na mudança dessa situação: “Um dia, se Deus quiser, eu compro um carro!”

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