Reportagens, ideias e afins
Por Angélica Oliveira
A PRIMEIRA IMPRESSÃO:
Multíplas escolhas: A história de mulheres muçulmanas em países democráticos.
Aos olhos de um ocidental comum, muitos dos costumes e crenças do islamismo parecem estranhos e até mesmo absurdos. No Islã, do vestuário à alimentação, todos os aspectos da vida do indivíduo devem ser regidos pela religião. Isso não significa que todas as pessoas alcancem, ou mesmo, almejem esse fim. Ivone Joslim, de 55 anos, é casada há 22 com Omar Hayke, devoto libanês muçulmano, hoje vice-sheik da Mesquita Rei Faiçal de Londrina. Ela admite que foi por insistência do marido que se converteu ao islamismo. Entretanto, diz compartilhar de muitos dos valores da religião, apesar de não se considerar muito praticante: “leio o Alcorão, faço minhas orações, mas não sigo todas as obrigações a risca. Não uso véu. Ele pede, gostaria que eu usasse, mas véu só dentro da Mesquita, porque daí precisa mesmo, né?” afirma a professora aposentada.
Ivone é um exemplo de mulher muçulmana, que se difere muito das descritas nos relatos de livros como o da iraniana e também professora Azar Nafisi. “Lendo Lolita em Teerã”, por meses na lista do mais vendidos do jornal The New York Times, retrata a experiência da autora na opressora realidade das mulheres dos aiatolás da Revolução de 1979, no Irã. As descrições das medidas impostas às muçulmanas são inúmeras e denunciam as duras condições de um modo de vida delimitado por um Estado teocrático fundamentalista. No extremismo de alguns regimes islâmicos, os direitos à igualdade e à liberdade de expressão são contrariados e feridos. Leis, como as existentes no Afeganistão, no período do governo do Talibã, condenavam mulheres por prostituição e adultério ao apedrejamento público.
Ivone é um exemplo de mulher muçulmana, que se difere muito das descritas nos relatos de livros como o da iraniana e também professora Azar Nafisi. “Lendo Lolita em Teerã”, por meses na lista do mais vendidos do jornal The New York Times, retrata a experiência da autora na opressora realidade das mulheres dos aiatolás da Revolução de 1979, no Irã. As descrições das medidas impostas às muçulmanas são inúmeras e denunciam as duras condições de um modo de vida delimitado por um Estado teocrático fundamentalista. No extremismo de alguns regimes islâmicos, os direitos à igualdade e à liberdade de expressão são contrariados e feridos. Leis, como as existentes no Afeganistão, no período do governo do Talibã, condenavam mulheres por prostituição e adultério ao apedrejamento público.
O choque causado por essa forma de tratamento dado a muitas muçulmanas, no cotidiano familiar e social de comunidades fundamentalistas islâmicas, é inevitável. Entretanto, vale lembrar, que o fundamentalismo é uma pequena corrente, dentro de uma religião com mais de 1,3 bilhões de pessoas. “O islamismo é uma religião muito bonita, que prega o temor e submissão a Deus. O muçulmano acredita no destino e no respeito às pessoas e à natureza. É isso que eu trago do islamismo pra minha vida” defende Magda Omar Mohamad Hayek, 21 anos, estudante universitária e filha do vice-sheik Omar.
Para ela, a imposição dos desejos do pai restringe algumas atividades ou comportamentos, mas nada que a impeça realmente de fazer algo. “Ele não gosta muito que eu saia à noite, implica com roupas e nisso eu prefiro ceder um pouco, procuro comprar roupas compridas, que eu sei que ele não vai implicar. Mas não que numa festa ou para sair, quando meu pai não está vendo, eu não possa usar outra coisa. A gente respeita a opinião dele, pra evitar ficar discutindo sempre as mesmas coisas”. A mãe Ivone faz coro à idéia da filha “Pra não perder a harmonia dentro de casa, a gente aceita muita coisa. Me adaptei a essa vida, mas não é uma coisa que me agride.”
Azar Nafisi, em entrevista a revista Veja, declarou que o problema de repressão feminina no Irã não tem origem na religião, mas na leitura radical do Corão, do qual são extraídas as leis da sharia, que no caso iraniano, são interpretadas de forma rígida e literal, sendo aplicadas como leis. “O problema não é a religião, mas quando a religião se transforma em Estado, quando a religião vira lei. A submissão total e irrestrita nunca fez parte da cultura das mulheres do Irã (...). O problema atual não é a religião. É a liberdade de escolha”.
Em países democráticos, a religião islâmica pode conviver pacificamente com os valores ocidentais. Onde existe a liberdade de escolha, existe também a liberdade de interpretação da religião. “Nunca usei o véu, não me sinto a vontade para usar. Essa escolha vai de acordo com a opinião de cada pessoa. Existem mulheres que encaram isso como pureza, um sinal de religiosidade. Mas eu não quero usar. Há certas coisas da religião que não tem como praticar”, explica Magda, que se sente bem em relação à religião e às suas escolhas.
Para ela, a imposição dos desejos do pai restringe algumas atividades ou comportamentos, mas nada que a impeça realmente de fazer algo. “Ele não gosta muito que eu saia à noite, implica com roupas e nisso eu prefiro ceder um pouco, procuro comprar roupas compridas, que eu sei que ele não vai implicar. Mas não que numa festa ou para sair, quando meu pai não está vendo, eu não possa usar outra coisa. A gente respeita a opinião dele, pra evitar ficar discutindo sempre as mesmas coisas”. A mãe Ivone faz coro à idéia da filha “Pra não perder a harmonia dentro de casa, a gente aceita muita coisa. Me adaptei a essa vida, mas não é uma coisa que me agride.”
Azar Nafisi, em entrevista a revista Veja, declarou que o problema de repressão feminina no Irã não tem origem na religião, mas na leitura radical do Corão, do qual são extraídas as leis da sharia, que no caso iraniano, são interpretadas de forma rígida e literal, sendo aplicadas como leis. “O problema não é a religião, mas quando a religião se transforma em Estado, quando a religião vira lei. A submissão total e irrestrita nunca fez parte da cultura das mulheres do Irã (...). O problema atual não é a religião. É a liberdade de escolha”.
Em países democráticos, a religião islâmica pode conviver pacificamente com os valores ocidentais. Onde existe a liberdade de escolha, existe também a liberdade de interpretação da religião. “Nunca usei o véu, não me sinto a vontade para usar. Essa escolha vai de acordo com a opinião de cada pessoa. Existem mulheres que encaram isso como pureza, um sinal de religiosidade. Mas eu não quero usar. Há certas coisas da religião que não tem como praticar”, explica Magda, que se sente bem em relação à religião e às suas escolhas.
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