Reportagens, ideias e afins

Por Angélica Oliveira

Mulheres para cá, homens para lá

O movimento é semelhante e recorrente. Ao chegar no pátio da Mesquita, as bolsas são abertas e os lenços e véus retirados. Os cabelos, ombros e braços precisam ser cobertos para o momento de oração.
Homens e mulheres entram pela mesma porta, porém, seus lugares são distintos. Os homens permanecem no andar térreo da Mesquita, enquanto as mulheres são conduzidas ao andar superior, por uma escada no canto direito do saguão. No chão, tapetes das mais diversas cores contrastam com o branco das paredes sem imagens .
A luz do sol ilumina todo a ambiente, através de vitrais coloridos em amarelo, laranja, vermelho e azul. No lugar destinado às mulheres, uma espécie de mezanino resguardado, além dos tapetes, almofadas verdes garantem o conforto das devotas. Todas com o corpo coberto por véus, algumas com túnicas, observam e participam do culto por detrás de uma cortina de renda branca, que as separa e as oculta dos olhares dos homens no andar de baixo.
O vice-sheik Omar Hayek explica que a motivo da separação é garantia do bom andamento do culto, “as pessoas se concentram melhor assim. Se as mulheres estão junto, os homens se concentram menos”, argumenta. Para ele, marido de Ivone e pai de Magda, o islamismo valoriza as mulheres, “a mulher é como uma jóia. Quem vai querer entregar o ouro pro bandido? Proteger a mulher é obrigação de todo homem mulçumano ”, justifica.
Omar nunca se opôs ao trabalho ou aos estudos da mulher e da filha, entretanto, considera que melhor seria se as mulheres pudessem se dedicar totalmente à família, à casa e aos filhos. “Meu pai, às vezes, exagera em alguma coisas, como toda pessoa muito religiosa. Ele tem suas preferências, algumas eu acato, outras não” revelou Magda. A estudante diz buscar o equilibrio entre suas atividades cotidianas e os valores da religião para assim, levar uma vida normal e em harmonia com o pai.
Do mesmo modo como muitas mulheres retiram seus véus e lenços, guardando-os nas bolsas, quando o culto na Mesquita chega ao fim, Magda também demarca os limites entre a religião e os demais aspectos de sua vida. “Existem coisas que a religião exige que não são fáceis. Na verdade, a gente vai convivendo com os dois lados. Não tem como seguir exatamente o que acontece nos países mulçumanos, aqui no Brasil. Você acaba misturando as coisas e assimilando as duas culturas”, revela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário